quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Gata Borralheira (Cinderela adaptado pela Walt disney)

Era uma vez um homem muito rico e feliz que tinha uma única filha muito suave e bela. Passado um tempo, a sua boa esposa e mãe da menina adoeceu gravemente. Antes de morrer, chamou a filha para perto de si e disse-lhe: “Minha filha, minha menina tão amada,  peço-te que sejas sempre boa e generosa como eu mesma sempre desejei ser. Vou viajar para muito longe, mas quando chegar ao Céu, pedirei a Deus que te acompanhe e velarei sempre pelo teu bem“. Apesar do sofrimento, a menina assim prometeu fazer e todos os dias visitava o lugar do túmulo da Mãe. Era lá que chorava a sua solidão e a saudade.
No Inverno seguinte, aquele lugar silencioso ficou coberto de uma neve tão espessa que só os raios primaveris foram capazes de derretê-la . Por essa altura, o Pai da menina decidiu casar com uma mulher má, invejosa e cruel que tinha duas filhas igualmente más, invejosas e cruéis. Respeitando a vontade da nova esposa, o dono da casa consentiu que a menina passasse a ocupar-se de toda a lida da casa e fosse despojada de todos os seus haveres. Todas contentes, as irmãs disseram: “Isso mesmo, vai para a cozinha! É lá o teu lugar“. A madrasta acrescentou: “De hoje em diante, ganharás o teu alimento com o teu próprio trabalho e trajarás como uma simples mendiga”. A boa menina trabalhava intensamente: lavava, esfregava, varria, amassava, costurava, ia buscar água ao poço, carregava com lenha e atendia a todas as exigências da madrasta e suas filhas.  Extenuada e sem aconchego, adormecia diariamente à beira da lareira, bem perto do borralho que lhe enfarruscava as roupas, as mãos e o rosto. Foi assim que as três maldosas começaram a chamar-lhe Gata Borralheira.
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Ao fim de alguns meses, o Pai perguntou a todas antes de viajar até ao mercado mais próximo: “- O que desejam que vos traga?” .”Nós queremos vestidos e jóias”, responderam as duas enteadas. Gata Borralheira apenas disse: “Meu querido Pai, peço-te que me tragas um ramo florido e viçoso da primeira árvore que cruzares no caminho.” E ele assim fez, satisfazendo todos os desejos.
Enquanto a madrasta e as suas duas invejosas filhas experimentavam as jóias e os vestidos novos, a menina correu para junto do túmulo da Mãe levando consigo a pequena ramada. Plantou-a no chão e sobre ela verteu tantas lágrimas que uma jovem avelaneira começou a nascer por entre os torrões de terra. Era uma árvore tão bela que os pássaros vinham pousar nela e cantavam. Sempre que ali voltava,Gata Borralheira era interpelada pela mesma pomba branca que lhe segredava: “Não chores mais, querida menina. Estarei sempre aqui para escutar e realizar os teus desejos”. 
O soberano daquele reino tinha também um único filho em idade casadoira. Resolveu, então, dar uma grande festa convidando todas as jovens e suas famílias para que o Príncipe pudesse escolher livremente a sua noiva. As duas filhas da madrasta gritaram por Gata Borralheira:“Onde estás, Gata Borralheira? Despacha-te, vem imediatamente servir-nos: tens de pentear-nos e arranjar-nos para que possamos ir ao baile!”. Ela assim fez mas começou s chorar baixinho, suplicando: “Por favor, minha madrasta. Deixe-me ir convosco à festa …”.Exasperada, a mazona respondeu maliciosamente: “Sua andrajosa! Mas como irás ao baile vestida de trapos velhos?… Muito bem. Irás se conseguires separar este prato de lentilhas até ao sol pôr“. E, ao dizer isto, atirou as lentilhas para as cinzas da lareira.
Gata Borralheira ficou desolada. Mas correu até alcançar a jovem avelaneira que abraçou enquanto chamava pela Pomba. “Lembras-te, minha branca pomba? Disseste proteger-me e realizar os meus desejos mais queridos. Suplico-te que me ajudes a separar as lentilhas das cinzas“. “Sim, lá irei e sempre te ajudarei“, retorquiu a ave. E assim fez: a Pomba chamou outras pombas que por sua vez trouxeram pardais, pintassilgos, rolas e rolinhas …. Todos debicaram até separarem todas as lentilhas. Radiante, a menina foi então chamar a madrasta: “Oh! Humm … Muito bem. Mas não basta! Terás de arranjar um vestido, sapatos novos e ainda terás de ser mais rápida. Quero as lentilhas separadas e de volta ao prato em menos de um ápice!”,acrescentou a megera voltando a atirá-las às cinzas.
Correndo em direcção à avelaneira, Gata Borralheira chamou a sua amiga Pomba. “Onde estás minha branca pomba que prometeste cumprir os meus desejos? A minha madrasta voltou a lançar as lentilhas às cinzas e agora quer que as separe ainda mais rapidamente.” A Pomba respondeu-lhe: “Sim, descansa. Lá irei e sempre te ajudarei.” Agora a Pomba e as suas amigas aves tinham sido ainda mais velozes; mas quando a menina mostrou as lentilhas separadas à malvada, ela gritou: “Agora já estou farta de te aturar! Ficas em casa e pronto!”
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Gata Borralheira ficou em casa, desconsolada com a crueldade das três vilãs. Depois de todos terem saído para a festa real, a menina foi em direcção à Avelaneira e suplicou: “Árvore, árvorezinha transforma um dos teus ramos no mais belo vestido de baile que possas inventar. E a avelaneira assim fez, para que de duas bagas pudessem surgir dois sapatinhos côr de ouro. Quando entrou na sala, todos ficaram espantados, incluindo a madrasta e suas  filhas que desconheciam a identidade da formosa desconhecida. Quanto ao Príncipe, ficou maravilhado com a sua beleza e dançaram toda a noite. Um pouco antes do final da festa, a menina correu em direcção ao bosque e aí se escondeu para devolver os seus sapatinhos e o vestido encantados.
O Príncipe ficou inconsolável por desconhecer o nome da sua donzela e rogou ao Rei que lhe concedesse o previlégio de mais um dia de festa. Na sua casa, Gata Borralheira  esperou ansiosamente a saída da madrasta e das suas filhas e de novo correu em busca da Pomba da Avelaneira, repetindo “- Querida Pomba Branca, minha doce Avelaneira! Suplico-vos que me ajudem a ir de novo ao Baile Real“. A árvore e a ave assim fizeram para que pudesse voltar a ser feliz. Quando o Príncipe a viu chegar ficou radiante, dançando com ela toda a noite. No entanto, ao soar a última badalada da meia-noite, a misteriosa donzela correu até ao bosque para devolver o segundo vestido à Pomba e à Avelaneira. Como o Príncipe consorte a seguia, Gata Borralheira escondeu-se no arvoredo, onde depositou o seu traje de festa, e regressou a casa sem que ninguém suspeitasse de nada.
O Principe rogou ao Pai um último dia de festa para que, de novo, reencontrasse a sua bela amada. O Rei consentiu e os convidados regressaram ao palácio. Quando a Pomba e a Avelaneira a viram aproximar, disseram à menina formosa: “Aqui tens um vestido de prata e . Mais estes sapatinhos bordados e esta capa de ouro velado”.  O Príncipe e Gata Borralheira de novo dançaram pela noite dentro, até que as doze badaladas de novo os separaram. Com a pressa em regressar a casa, a jovem menina esquecera afinal um sapatinho dourado na escadaria. O Príncipe pegou nele com ternura e prometeu encontrá-la.
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Ao amanhecer do dia seguinte, enviou os seus cavaleiros em busca de todas as jovens do reino, para que experimentassem o sapatinho. Aquela que o calçasse seria a nova rainha. Percorridas todas as casas, restava apenas a de Gata Borralheira. Ao imaginar que uma das suas filhas poderia vir a casar com o Príncipe, a madrasta obrigou-as a calçar o sapatinho. Primeiro a mais velha, depois a mais nova: “Vá, calça o sapatinho que não te arrependerás! Agora doi-te, mas quando fores Rainha logo descansarás!“. Elas assim fizeram, mas de regresso ao palácio, o Principe foi alertado por duas pombras brancas: ”Príncipe consorte, não te deixes enganar! O sapatinho está tão apertado que ela nem pode andar!”. O Príncipe decidiu entregar a primeira e a segunda filhas da madrasta e assim voltar a sua casa.
Ao cruzar a porta da casa de Gata Borralheira, o jovem ordenou: “Façam que se cumpra o meu preceito com toda a honestidade: existe alguma donzela mais nesta casa? Todas as jovens casadoiras devem experimentar este sapatinho“. O Pai de Gata Borralheira mandou chamá-la e, para espanto de todos, a menina calçou o sapatinho sem qualquer dificuldade. “Oh! Minha doce amada tão misteriosa!” . Dito isto, ambos seguiram para o Palácio encontrando a mesma Pomba no caminho: “Podes continuar, é mesmo com ela que deverás casar”,cantarolou a ave. Aguardando a sua chegada, o Rei mandara preparar uma enorme festa de celebração. Eles casaram e foram felizes para sempre, o que não aconteceu ao Pai, à Madrasta e suas filhas maldosas que foram castigados e expulsos pelos outros habitantes. Quanto à Princesa Gata Borralheira, ela continuou sempre a ser boa,  amando e sendo piedosa. E, sobretudo, visitando a Avelaneira e a Pomba junto ao túmulo da sua Mãe

espelho espelho meu (a verdadeira historia de branca de neve)




uma rainha costurava, no inverno, ao lado de uma janela negra como o ébano. Ao lançar o olhar para a neve, picou o dedo com a agulha, e três gotas de sangue pingaram sobre a neve, o que a deixou admirada e a fez pensar que, se tivesse uma filha, gostaria que fosse "alva como a neve, rubra como o sangue e negra como o ébano da janela".Não tardou, e a princesa teve uma filha de descrições idênticas ao seu pedido: branca como a neve, com os cabelos negros como o ébano e os lábios vermelhos como o sangue. Mas, tão logo sua filha veio ao mundo, a rainha morreu. O pai deu à filha o nome de Branca de Neve, e logo tornou a casar com uma mulher arrogante e vaidosa, possuidora de um espelho mágico que só falava a verdade.Constantemente a rainha consultava seu espelho, perguntando quem era a mais bela do mundo, ao que ele sempre respondia: "Senhora Rainha, vós sois a mais bela". Mas Branca de Neve cresceu e, um dia a madrasta perguntou: "Quem é a mais bela de todas?", e o espelho não tardou a dizer: "Você é bela, rainha, isso é verdade, mas Branca de Neve possui mais beleza."Cheia de inveja, a Rainha contratou um caçador e ordenou que ele matasse Branca de Neve e lhe trouxesse seu coração como prova, na esperança de voltar a ser a mais bela. O caçador ficou inseguro, mas aceitou o trabalho. Pronto para matar a bela princesa, o caçador desistiu ao ver que ela era a moça mais bela que já havia encontrado, e rapidamente a mandou fugir e se esconder na floresta; para enganar a rainha, entregou a ela o coração de um jovem veado. A rainha assou o coração e o comeu, acreditando ser de Branca de Neve mas, ao consultar o espelho mágico, ele continuou a dizer que Branca de Neve era a mais bela.Branca de Neve fugiu pela floresta, até encontrar uma casinha e, ao entrar, descobriu que lá moravam sete anões. Como era muito gentil, limpou toda a casa e, cansada pelo esforço que fez, adormeceu na cama dos anões. À noite, ao chegarem, os anões levaram um susto, mas logo se acalmaram ao perceber que era apenas uma bela moça, e que a mesma tinha arrumado toda a casa. Como agradecimento, eles cederam sua casa como esconderijo para Branca de Neve, com a condição de ela continuar deixando-a tão limpa e agradável.A rainha não tardou a descobrir o esconderijo de Branca de Neve e resolveu matá-la; disfarçada em mascate, foi até a casa dos anõezinhos. Chegando lá, ofereceu um laço de fita a Branca de Neve, que aceitou.
A rainha ofereceu ajuda para amarrar o laço em volta da cintura de Branca de Neve e, ao fazê-lo, apertou-o com tanta força que Branca de Neve desmaiou. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve sufocada pelo laço de fita, rapidamente o cortaram e ela voltou a respirar.A rainha novamente descobriu que Branca de Neve não estava morta, e voltou a se disfarçar, mas desta vez como uma velha senhora que vendia escovas de cabelo, na verdade envenenadas. Ao dar a primeira escovada, Branca de Neve caiu no chão, desmaida. Quando os anões chegaram e a viram, rapidamente retiraram a escova de seus cabelos e ela acordou.A rainha, já enlouquecida de fúria, decidiu usar outro método: uma maçã enfeitiçada. Dessa vez, disfarçou-se de fazendeira e ofereceu uma maçã; Branca de Neve ficou em dúvida, mas a Rainha cortou a maçã ao meio e comeu a parte que não estava enfeitiçada, e Branca de Neve aceitou e comeu o outro pedaço, enfeitiçado. A maçã engasgou na garganta de Branca de Neve, que ficou sem ar.
Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve desacordada, tentaram ajudá-la, mas não sabiam o que causara tudo aquilo, e pensaram que ela estava morta. Por achá-la tão linda, os anões não tiveram coragem de enterrá-la, e a puseram em um caixão de vidro.Certo dia, um príncipe que andava pelas redondezas avistou o caixão de vidro, e dentro a bela donzela. Ficou tão apaixonado, que perguntou aos anões se podia levá-la para seu castelo, ao que eles aceitaram e os servos do príncipe a colocaram na carruagem. No caminho, a carruagem tropeçou, e o pedaço de maçã que estava na garganta de Branca de Neve saiu, e ela pôde novamente respirar, abriu os olhos e levantou a tampa do caixão.O príncipe a pediu em casamento, e convidou para a festa a rainha má, que compareceu, morrendo de inveja. Como castigo, ao sair do palácio, acabou tropeçando num par de botas de ferro que estavam aquecidas. As botas fixaram-se na rainha e a obrigaram a dançar; ela dançou e dançou até, finalmente, cair morta.